Ao apresentar sua coletânea de crônicas, Gustavo Corção diz que elas lhe deixavam uma impressão melancólica. Após dez anos, período que vai dos seus cinqüenta aos seus sessenta anos, o autor percebia-se aclamado, reconhecido e justamente remunerado, mas via que não conseguira ainda aquilo que buscava: a verdade reconhecida e bem servida.
As crônicas aqui reunidas, retratos da vida cultural do Brasil que atravessava a primeira metade do século XX, incluem memórias, crítica literária e as polêmicas que consagraram o autor em vida. Escritas com o espírito confessadamente militante, revelam o compromisso de Corção que via sua escrita como um serviço à doce e casta Verdade , a quem serve sem computar resultados, e que mais servira se não fora para tão longo amor tão curta a vida .
Sobre o autor:
Gustavo Corção é considerado um dos maiores escritores brasileiros de toda a história da literatura nacional. Nasceu em 17 de dezembro de 1896 no Rio de Janeiro. Fez o curso de Engenharia na antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, posteriormente lecionou eletrônica aplicada às telecomunicações, trabalhou em astronomia de campo, em serviço de força e luz, em radiocomunicações e em atividades industriais até 1948. Casou-se em 1924, ficou viúvo e casou-se novamente em 1937. Converteu-se à Igreja Católica em 1939 e publicou seu primeiro livro, A Descoberta do Outro, em 1944 (Agir). Foi diretor da revista A Ordem e do Centro Dom Vital, do Rio de Janeiro, colaborador semanal de O Estado de São Paulo, do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, do Correio do Povo de Porto Alegre e de O Globo do Rio de Janeiro. Corção morreu em 6 de julho de 1978.